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Chás Sublimes de KYOTO

UJI 

O berço de todos os chás japoneses

AS BASES DOS CHÁS JAPONESES ATUAIS
FORAM CRIADAS EM UJI E DEPOIS TRANSMITIDAS
PARA TODAS AS OUTRAS REGIÕES DO JAPÃO.

Acredita-se que o cultivo do chá tenha origem na China, com os primeiros vestígios a remontarem a cerca de 2700 a.C.. O chá é apreciado como bebida há mais de 2000 anos. Foram os monges budistas que, ao regressarem da China, introduziram esta tradição de consumo de chá no Japão no início do século IX.

Em 1191, no início da era Kamakura, o mestre Zen Eïsai regressou da China e transmitiu ao Japão os métodos de produção e preparação de um chá verde em pó. Eïsai pediu aos monges do Templo Kozan, em Quioto, que cultivassem a planta do chá e desenvolvessem a produção desta bebida.

Estes encontraram terras adequadas na região de Uji, onde o nevoeiro dos rios é intenso e o clima oferece condições ideais para o cultivo do chá. Foi assim que começou a história dos chás de Uji.

Uji não só beneficia de condições naturais excecionais para o cultivo do chá, como também possui uma localização privilegiada junto de Quioto, a capital política e cultural da época, num período em que o consumo de chá se tornou cada vez mais difundido.

No início do século IX, os chás de Uji foram protegidos pelo Shogun Ashikaga, fazendo com que o nome Uji passasse a ser reconhecido como a região dos chás de excelência.

Embora o cultivo e a produção de chá tenham sido originalmente introduzidos no Japão a partir da China, juntamente com o desenvolvimento de práticas rituais como o “Cha-no-yu” (cerimónia do chá) ou o “Bunjin-cha” (chá dos eruditos), as técnicas de produção evoluíram consideravelmente graças ao surgimento do cultivo à sombra e do chamado método Uji.

Destas inovações nasceram alguns dos mais emblemáticos chás verdes japoneses, como o Matcha, o Sencha e o Gyokuro.

Os chás emblemáticos do Japão — Matcha, Sencha e Gyokuro — nasceram todos em Uji, uma região histórica com um clima único e condições excecionais para o cultivo do chá, representando um património cultural que convidamos a descobrir.

O NASCIMENTO DOS CHÁS DE UJI

E A SUA HISTÓRIA...

A cidade e a província de Uji desenvolveram-se em torno do rio Uji, que flui desde o lago Biwa há mais de mil anos. Situada no cruzamento das vias que ligam Quioto, Nara e a província de Shiga, Uji desempenhou um papel fundamental e estratégico ao longo da história.

Por volta do século IX, tornou-se um ponto de encontro para a nova aristocracia de Quioto, que ali desenvolveu uma cultura notável, frequentemente descrita na literatura japonesa através das célebres cenas de “O Conto de Genji”.

É neste contexto geográfico e cultural que o chá foi transmitido para Uji, onde a produção de chás excecionais se perpetuou durante oito séculos.

Intimamente ligada ao desenvolvimento das práticas rituais e tradicionais do chá, a região de Uji desenvolveu técnicas inovadoras de produção que deram origem a chás verdes de grande refinamento.

Desde 2015, Uji está classificada como património cultural do Japão pela Agência para os Assuntos Culturais, como local histórico, e encontra-se atualmente a considerar uma candidatura ao estatuto de Património Mundial da UNESCO.

UJI POSSUI UM PATRIMÓNIO HISTÓRICO E CULTURAL ÚNICO E É O BERÇO DOS CHÁS EMBLEMÁTICOS DO JAPÃO.

O nascimento do Matcha de Uji:

Até ao final do século XII, os Matchas chineses, cultivados ao ar livre, já eram encontrados no Japão e consumidos através da sua dissolução em água quente. Foi também nesta época que Uji iniciou a cultura do Matcha.

Em meados do século XV, os chás de Uji tornaram-se uma marca de referência, apoiados pela família imperial de Quioto e pelos Shoguns. No início do século XVI, surgiu o “Cha no Yu”, ou seja, a cerimónia do chá, na qual os equipamentos, utensílios, bem como os gestos de preparação, serviço e degustação do chá eram valorizados e apreciados durante uma refeição.

Ao mesmo tempo, o mestre de chá Sen no Rikyū difundiu o conceito de “Wabi-cha”. Para responder às exigências dos mestres de chá, como Sen no Rikyū, desenvolveu-se em Uji o cultivo à sombra, permitindo a produção dos chás mais refinados e dando origem ao Matcha de excelência que se tornou um símbolo da cultura japonesa.

Foi assim que nasceu o Tencha, um chá mais suave e sem adstringência, a partir do qual é produzido o Matcha, um chá emblemático do Japão, reconhecido pela sua cor verde intensa e pelo seu forte sabor umami.

As técnicas inovadoras do Sencha e do Gyokuro:

Em meados do século XVII, segundo o mestre Zen Ingen (do Templo Manpuku), difundiu-se uma nova forma de consumir chá através da infusão de folhas de chá enroladas.

Posteriormente, por volta do século XVIII, surgiu em Uji uma técnica que consistia em secar as folhas de chá vaporizadas sobre uma fonte de calor, enquanto eram amassadas e enroladas. Esta técnica ficou conhecida como o “método Uji”, dando origem a um chá rico em cor, aroma e sabor: o Sencha.

No início do século XIX, a combinação do cultivo à sombra com o método Uji deu origem ao Gyokuro, um dos chás verdes japoneses mais refinados, conhecido pelo seu aroma delicado, sabor intenso em umami e pela sua extraordinária suavidade.

OS DIFERENTES CHÁS DO JAPÃO

Todos os chás provêm da mesma variedade de planta do chá, pertencente à família das Camélias. A maioria dos chás japoneses são chás verdes não fermentados, que são principalmente vaporizados para impedir a oxidação. De seguida, as folhas são cuidadosamente secas enquanto são enroladas, amassadas e trabalhadas.

Esta técnica inovadora de produção através da vaporização não existia em nenhum outro lugar e foi desenvolvida em Uji.

AS FOLHAS DE CHÁ SÃO VAPORIZADAS POUCO TEMPO APÓS A COLHEITA PARA IMPEDIR A OXIDAÇÃO.

OUTRA TÉCNICA CONSISTE EM PASSÁ-LAS POR UM KAMA, UMA ESPÉCIE DE CALDEIRÃO MUITO QUENTE, UTILIZADO PARA AQUECER AS FOLHAS E PRESERVAR AS SUAS CARACTERÍSTICAS NATURAIS.

CULTIVO À SOMBRA (HADE CULTIVATION)

Consiste em cobrir as plantas de chá durante o crescimento dos rebentos, de forma a bloquear a luz solar.

Tencha: Chá vaporizado e seco sem ser enrolado.

Matcha: Tencha moído através de uma mó de pedra, transformando-se num pó fino de cor verde intensa.

Gyokuro: Os rebentos são protegidos da luz durante pelo menos 20 dias, adquirindo uma cor verde profunda. De seguida, são vaporizados e enrolados durante a secagem. É um chá rico em aroma e umami, com uma tonalidade verde muito suave e elegante. As próprias folhas de chá também podem ser consumidas diretamente.

CULTIVO AO AR LIVRE

[SEM COBERTURA]

Sencha: Os rebentos colhidos são vaporizados e enrolados durante a secagem. O Sencha possui um aroma revitalizante e uma ligeira adstringência.

Hojicha: Chá verde torrado, apreciado pelas suas notas tostadas.

Genmaicha: Uma mistura subtil de chá verde e grãos de arroz torrado.

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